A PERSONIFICAÇÃO DO MAL

A Personificação do Mal

 
Como caíste dos céus, Ó astro brilhante, Filho da Aurora?
Como foste abatido por terra, Ó dominador das nações?

 
A era moderna oculta o demónio da mensagem pública. A sua existência é negada, embora proliferem as sociedades secretas, os filmes de terror, de canibalismo, de vampiros e de feiticeiros, do próprio demónio, a estética gótica, a remoção de tudo o que se refere a Deus nas escolas, a mudança do próprio nome dos hospitais. No meio universitário, o discurso “main stream” é não admitir a sua existência, embora seja conhecida a influência que as sociedades secretas exercem em todo o edifício educacional, onde o espírito de serviço foi substituído em grande medida pelo orgulho e auto-suficiência. Assume particular gravidade a assunção por muitos católicos desta constelação valorativa, aliás em discordância com a sua própria religião e com as outras religiões monoteístas, o judaísmo e o islamismo.

Vários Papas alertaram a comunidade católica para esse processo de ocultação, de camuflagem. Os padres exorcistas são um ministério do Vaticano.
Vários autores convertidos ao catolicismo, como Clive Staple Lewis e Gilbert Keith Chesterton, alertaram a comunidade católica para a existência do demónio.

É verdade que a demonologia não é o cerne da nossa fé. O cerne da nossa fé reside no Evangelho e na nossa relação com Deus e com o outro homem. Mas é igualmente verdade que o homem é sujeito à tentação e ao mal, muitas vezes sob forma de bem. E que admitir a diferença entre Bem e Mal, a realidade da Queda que assentou na liberdade, no livre-arbítrio, pode elucidar o homem sobre o perigo do orgulho e do poder auto-destrutivo do ódio. Seguem depoimentos significativos de várias pessoas importantes que nos lembram o essencial: o mal existe, o homem escolhe-o livremente pois o mal não tem o poder de “obrigar” mas sim de “seduzir”, o mal não tem poder criador – “God makes, the Devil mocks"-, o seu poder intrínseco está para além da força humana e só pode ser combatido quando o homem humildemente reconhece a sua inferioridade e apela à ajuda dos santos, dos anjos, da Santíssima Virgem Maria.


 

A razão dessa discrepância de força reside no facto de que os anjos, e também os anjos caídos, são seres puramente espirituais. Eles não têm fome, nem sede, nem dor, nem cansaço. Embora não adivinhem o futuro, não sejam omniscientes, nem omnipresentes, têm uma percepção do jogo todo. Essa percepção resulta do facto de acompanharem diversas almas em diversos locais e épocas, fazendo cálculos probabilísticos que se tornam quase antecipações do futuro, porque conhecem bem a personalidade de cada um desde o nascimento e têm dados quase infindáveis sobre o perfil psicológico de milhões de homens.

Não desistem dos seus propósitos. São tenazes e persistentes. Oferecem bens materiais e gáudio público, mas procuram objectivos puramente ideológicos, morais, espirituais. Os líderes de opinião são particularmente vulneráveis, porque aspiram ao dinheiro e reconhecimento social; são particularmente úteis porque permitem uma pesca de arrasto e não à cana. Os mass media tiveram o efeito de amplificar este fenómeno. Comecemos pois, por Chesterton:
 

“Não é fácil ser-se leve, não é fácil ser-se humilde, combater o Orgulho, rir-se de si próprio. O Orgulho torna a vida seca como palha, combate o cavalheirismo, é árido, seco, hipócrita e cínico. É uma fraqueza de carácter. E sobretudo não suporta a graça e a troça, o desprendimento, o asceticismo, porque libertam do servilismo e da obediência cega. O orgulho não pode levitar, o orgulho é o reverso negativo de todas as coisas. Abandona o auto-desprendimento que levita e encerra-se numa auto-suficiência sisuda que cai. O homem cai para uma sala castanho-escuro mas sobe para um céu azul e branco. A sisudez não é uma virtude. É uma heresia, um vício. A solenidade flui espontaneamente do homem, a graça é uma iluminação. É fácil ser-se pesado, difícil ser-se leve. Satanás caiu pela força da gravidade.” Chesterton, Ortodoxia, 1908
 
“É possível que estes modernos tenham absorvido coisas vividas há milhares de anos, quando faziam sacrifícios humanos em florestas negras e cruéis em que invocavam os seus deuses na escuridão. O seu agnosticismo é, provavelmente, mero paganismo. O seu paganismo, como em tempos remotos é mera adoração pelo demónio. Decerto Schopenhauer não poderia escrever o seu ensaio odioso sobre as mulheres se não pertencesse a um país que esteve em tempos cheio de escravos e de rituais do demónio. É possível que estes modernos nos andem a enganar, pela dissimulação. Que escondam no seu palavreado científico coisas que eles já conheciam antes da ciência ou da civilização.” Chesterton prefacia Creatures that once were men, 1926
 
 
 
“Todas as religiões têm em si qualquer coisa de bom, mas o bom, a sua mesma realidade própria, a humildade e o amor, a ardente gratidão a Deus, não se encontra nelas. Quanto mais profundamente as conhecemos, e até quanto maior reverência por elas sentimos, mais claramente o compreendemos. No mais profundo delas encontra-se qualquer outra coisa que não é o puro bem; encontra-se a dúvida metafísica acerca da matéria, ou a voz forte da natureza, ou, no melhor dos casos, o temor da lei e da divindade. Se estas coisas se exageram, surge uma deformação que pode ir até à adoração do demónio.” Chesterton, Hereges, 1905
 
 
 
 
"O Mal reentra no mundo quando o que o mundo nos propõe é apenas a viagem e nenhum objectivo. O Mal é persistente e propõe-nos a incapacidade de tomar uma decisão, de viver seguindo-a, e de morrer por ela. A certeza na incerteza que paralisa a mente e a cultura." Chesterton on Stevenson, 1927
 
 
Paulo VI: “Pensava-se que depois do Concílio o sol brilharia sobre a História da Igreja. Mas em vez do sol, apareceram as nuvens, a tempestade, as trevas, a incerteza. Como se pôde chegar a esta situação? – Interveio uma potência hostil. O seu nome é o Demónio. Nós cremos num ser preternatural que veio ao mundo para perturbar a paz. O fumo de Satanás penetrou por alguma fenda no templo de Deus. Uma das maiores necessidades da Igreja é defender-se desse mal que designamos por Demónio, esse ser vivente, espiritual, pervertido e perversor, realidade terrível, misteriosa e temível.”

E prossegue:

“Separam-se da Igreja e do ensinamento bíblico aqueles que negam reconhecer a existência do diabo ou aqueles que, por influência maniqueísta e gnóstica, lhe reconhecem um princípio autónomo que não tem, como todas as criaturas, a sua origem em Deus. E também todos aqueles que o explicam como uma pseudo-realidade, uma invenção do espírito humano, para personificar as causas desconhecidas dos nossos males.”

E conclui:

“ É o inimigo oculto, o sedutor pérfido e obstinado que sabe insinuar-se em nós através dos sentidos, da imaginação, da concupiscência, da lógica utópica, das relações sociais desordenadas, para induzir nos nossos actos desvios muito nocivos que parecem corresponder às nossas estruturas físicas ou psíquicas ou às nossas aspirações profundas.” Mt 24,13; 13,24-30; 36,43.

Para S. Tomás de Aquino, o Príncipe deste mundo, Jo 12,31; 14,30; 16,11 - mundo no sentido de todos os homens que se recusam servir a Deus, 2 Cor 4,4 e Job 41,25.
 
 
 
 
 
Leão XIII em Dezembro de 1884 elaborou o “Manuscrito da oração ao Arcanjo S. Miguel” após uma visão de demónios a atacar a cidade eterna, Roma.
 
 
 
 
 
João Paulo II, 23 de Julho de 1986: “Os outros anjos, servindo-se da sua liberdade criada, fizeram uma escolha tão radical e irreversível como a dos anjos bons, mas diametralmente oposta: em vez de uma aceitação de Deus cheia de amor, opuseram-lhe uma recusa inspirada num falso sentimento de auto-suficiência, de aversão, de ódio, que se transformou em rebelião.”
Ainda João Paulo II, Encíclica sobre a Bem Aventurada Virgem Maria, Gaudium et spes, 37: “…duro combate contra as potências das trevas que se trava ao longo de toda a história humana.”
João Paulo II na resposta ao padre Pellegrino Ernetti: “Quem não acredita no demónio não acredita no Evangelho!”
 
 
 
João Paulo II, Maio de 1991, JMJ, Ilha da Madeira: “A táctica que Satanás utilizou e continua a utilizar consiste em não se revelar, para que o mal que se desenvolveu desde as origens se desenvolva pela acção do próprio homem, por meio dos sistemas e das relações entre os homens, entre as classes e as nações, para que o mal se transforme cada vez mais num pecado estrutural e cada vez menos num pecado pessoal. Satanás actua sobretudo na sombra para passar despercebido. Actua através dos homens e das instituições, sobretudo as educativas.”
 
 
 
 
 
Trata-se, portanto, de um combate. E o que faz o inimigo num combate? A camuflagem e a sedução ou propaganda. Aqui residem os dois erros de quem trava este combate, a humanidade: a negação da existência do Demónio e a sua adoração, a tentativa de o conhecer melhor pelos próprios meios humanos. Dois erros trágicos e comuns. Assim se perde uma guerra sem ter sequer a noção da sua existência.
 
 
 
 
 
Bento XVI: “A falsidade é a marca do Demónio… O tentador é insidioso: não impele directamente ao mal, mas a um falso bem, fazendo crer que as verdadeiras realidades são o poder e aquilo que satisfaz as necessidades primárias. Propor directamente o mal seria grosseiro. Deus torna-se secundário, fica reduzido a um meio, em última análise torna-se irreal, deixa de contar, dissipa-se. Em última análise, nas tentações está em jogo a fé, porque está em jogo Deus. Nos momentos decisivos da vida – mas, bem vistas as coisas, em cada momento – estamos perante uma encruzilhada: queremos seguir o nosso eu ou Deus – o interesse individual ou o verdadeiro Bem, aquilo que realmente é bom?” Angelus, 13.02.2013
 

Gabriel Amorth, 21 de Fevereiro de 2013: Bento XVI reuniu com os padres exorcistas de todo o mundo e agradeceu o seu apoio nos 8 anos do seu pontificado.
 
Como é então a tipologia do Inferno, como foi mostrado em Fátima pela Virgem Maria?
 
Ouçamos Clive Staple Lewis que começa por demonstrar que o maniqueísmo gnóstico é um erro, uma heresia:
 
“A mais comum das questões é se eu admito mesmo a existência do Diabo. Ora, se por Diabo o inquiridor quer dizer a existência de um poder oposto a Deus e, como Deus, auto-existente desde a eternidade, a resposta é sem dúvida, não! Nenhum ser não-criado existe além de Deus. Deus não tem nenhum ente que lhe seja oposto. Nenhum ser poderia jamais alcançar uma tão "perfeita maldade" que se opusesse à perfeita bondade de Deus. Quando, pois, se tirasse a esse ser oposto todas as espécies de coisas boas: a inteligência, a vontade, a memória, a energia e a existência própria, nada mais lhe restaria.
 
A pergunta mais cabível é: Se eu admito a existência de diabos. Admito-a, sim. Isto quer dizer o seguinte: Creio na existência de anjos e admito que alguns destes, pelo abuso do livre arbítrio, se tornaram inimigos de Deus e, por decorrência desse facto, também são nossos inimigos. A tais anjos podemos chamar diabos. Não diferem, quanto à essência, dos anjos bons, mas a natureza deles é depravada. Satanás, o líder ou ditador dos diabos, não é um ente oposto a Deus e, sim, ao arcanjo Miguel. Está em consonância com o sentido claro das Escrituras, com a tradição do Cristianismo e com o modo de crer da maioria dos homens, através dos tempos. Alem do mais, esta opinião não colide com coisa alguma que qualquer das ciências tenha demonstrado como verdadeira.” C.S. Lewis, Screwtape Letters, 1960
 
Lewis continua, dizendo que a representação dos demónios como morcegos e dos anjos com asas, apenas significa que os artistas humanos gostam mais de seres alados do que de morcegos ou vampiros. Asas significa rapidez intelectual sem impedimento algum, forma humana significa ser racional.
 
 
“Podemos imaginar o Inferno como sendo uma situação em que todos estão preocupados com conceitos como dignidade e progresso pelos próprios esforços, onde todos se sentem ofendidos, e se debatem tomados por paixões fatais como a inveja, a vaidade e o ressentimento. Vivo nesta época de grandes e "brilhantes" administradores. Os maiores males já não acontecem nos perversos "redutos criminosos", que Dickens tanto apreciava descrever. Nem sequer nos hediondos campos de concentração. Nestes campos, apenas temos a visão dos resultados de outros males que foram praticados antes, causando estes mesmos campos. A verdade, porém, é que os maiores males e crimes são criados, arquitetados e executados em escritórios bem limpos, atapetados, refrigerados e bem iluminados por homens de colarinho branco, unhas bem cuidadas; estão sempre bem barbeados e jamais precisam de elevar o seu tom de voz.
 
 
Superficialmente, as maneiras são normalmente delicadas, pois um tratamento rude para com o seu superior seria suicídio; e quando um superior falasse com um subordinado, se o fizesse com rispidez ou rudeza, isto faria com que os mesmos subordinados ficassem prevenidos antes que o chefe estivesse pronto para dar a "facada nas costas". Com efeito, "cobra come cobra" é o principio de toda a Organização Infernal. Todos desejam o descrédito, a derrota e a ruína de todos os outros. Em resumo, todos se tornam especialistas na propagação da falsidade e da traição. As boas maneiras, as expressões de cortesia e os "elogios formais" que trocam entre si pelos "inestimáveis serviços prestados" são apenas uma casca de todas estas coisas. De vez em quando, esta casca racha, e então aparece o caldo fervente dos seus ódios de uns pelos outros.

Os maus anjos (à semelhança dos maus homens) têm espírito puramente prático. Eles tem dois motivos para isso.
Primeiro: medo da punição. Assim como os países ditatoriais (totalitários, se preferirem) têm as suas prisões políticas e campos de concentração, da mesma forma, o Inferno que eu pinto contém infernos mais profundos, que funcionam como "casas de correção".
O segundo motivo vem de uma certa espécie de fome. Imagino que os demónios podem, no sentido espiritual, devorar-se uns aos outros, e a nós também.
 
Mesmo no contexto da vida humana, vemos a paixão dominar (quase mesmo devorar) uma pessoa a outra. Isto faz com que toda a vida emocional e intelectual do outro sejam a tal ponto apagadas que se reduzam a meros complementos da própria paixão. O indivíduo passa então a odiar como se o agravo fosse sobre si mesmo, devolver ofensas como se ele tivesse sido ofendido, enfim, tem a sua individualidade totalmente dissolvida, assimilando desta forma a do objeto da sua paixão. Embora na Terra chamem a isto  "amor", imagino que esteja longe do conceito de amor que Deus nos legou, 1 Cor 13. No Inferno, identifico este tipo de sentimento com a fome; e neste Inferno, a fome é mais feroz e a satisfação desta mais viável.
 
 
Não havendo corpos, o espírito mais forte pode realmente absorver o mais fraco, deleitando-se assim de modo permanente na individualidade destruída do mais fraco. É por isso que os diabos desejam conquistar espíritos humanos, bem como os espíritos uns dos outros. Também é por isto que Satanás anseia por todos os membros de seu exército, por todos que nascem de Eva e mesmo pelos exércitos do Céu. O sonho que ele acalenta é o do dia em que tudo esteja no seu interior, de modo que qualquer um que disser "Eu" só possa dizê-lo através dele. Poderíamos compará-lo à aranha inchada, em contraposição à bondade infinita segundo a qual Deus torna os homens em servos, estes servos em filhos, de modo a serem no final reunidos a Ele, não como "almas absorvidas", mas como indivíduos aprimorados, desfrutadores de todo o deleite e prazer que a presença de Deus proporciona.

Em síntese, Deus compraz-se em pedir ao homem a sua individualidade, mas tão logo o homem a cede, o maior prazer de Deus é devolvê-la aprimorada. Deus bate à porta, ao passo que o Diabo a arromba. O Espírito Santo enche, os diabos possuem.”
 
 
Adenda:
 
 
Livro de Isaías, Is 14,7-20:
 
''O Senhor despedaçou o bastão dos ímpios
 
e o ceptro dos tiranos,
 
ao que feria os povos com furor,
 
com golpes sem fim,
 
e sujeitava as nações com brutalidades,
 
sob um jugo cruel.
 
Toda a terra está em descanso e em paz,
 
em cânticos de alegria.
 
Até os ciprestes e os cedros do Líbano
 
se regozijam da tua queda:
 
«Desde que tu caíste
 
já não subirá o lenhador para nos cortar».
 
A morada dos mortos, lá em baixo, agita-se
 
para vir ao teu encontro.
 
Despertam em tua honra, as sombras dos grandes,
 
todos os senhores da terra,
 
e levantam-se dos seus tronos
 
todos os reis das nações.
 
Todos tomarão a palavra para te dizer:
 
«Também tu feito nada como nós,
 
igual a nós!
 
A tua glória desceu à morada dos mortos,
 
ao som das tuas harpas!
 
Jazes sobre um leito de gusanos,
 
e a tua coberta são os vermes.
 
Como caíste dos céus,
 
ó astro brilhante, Filho da Aurora?
 
Como foste abatido por terra,
 
ó dominador das nações?
 
Tu que dizias no teu coração:
 
subirei aos céus
 
estabelecerei o meu trono
 
acima das estrelas de Deus,
 
sentar-me-ei sobre o Monte da Assembleia,
 
na extremidade do céu;
 
subirei sobre o cume das nuvens
 
e serei semelhante ao Altíssimo.
 
O quê! Foste precipitado no abismo,
 
no mais profundo dos abismos!
 
...
 
 
 
Livro de Ezequiel, Ez 28, 13-18
 
 
 
 
 
Tu eras um modelo de perfeição,
 
Cheio de sabedoria,
 
De uma beleza admirável.
 
 
 
Estavas no Éden, jardim de Deus;
 
Cobrias-te de toda a espécie de pedras preciosas
 
Sardónica, topázio, diamante, crisólito, ónix,
 
Jaspe, safira, carbúnculos, esmeralda,
 
Cravejadas de ouro.
 
 
 
Tamborins e flautas estavam ao teu serviço
 
Desde o dia em que foste criado.
 
Eras um querubim protector,
 
Colocado sobre a montanha santa de Deus,
 
Caminhavas por entre pedras de fogo.
 
 
 
Eras irrepreensível na tua conduta
 
Desde o dia em que nasceste,
 
Até àquele em que a iniquidade apareceu em ti.
 
 
 
Com o aumentar do teu comércio,
 
O teu interior encheu-se de violência e pecados;
 
Por isso, Eu te precipitei da montanha de Deus,
 
E te fiz perecer, ó querubim protector,
 
No meio das pedras de fogo.
 
 
 
O teu coração encheu-se de orgulho
 
Por causa da tua beleza.
 
Arruinaste a tua sabedoria
 
Por causa do teu esplendor.
 
 
 
Lancei-te por terra
 
E entreguei-te por espectáculo aos reis.
 
 
 
Pelas muitas faltas
 
E desonestidades em teu comércio,
 
Profanastes os teus santuários;
 
 
Por isso fiz sair de ti fogo para te devorar.
 

 
 

António Campos

 

 
 
Bibliografia:
 
 
Chesterton: Hereges, Ortodoxia, Os Disparates do Mundo, Illustrating London News
 
 
C.S. Lewis: Screwtape Letters, 1960
 
 
Jose Antonio Fortea: Suma Demoníaca, Paulus editora, 2010
 
 
Georges Huber: O diabo, hoje, Quadrante, São Paulo, 1999
 
 
Michele Dolz e Paolo Franciulli: O Anti-Cristo, Quadrante, São Paulo, 2001
 
 

 

SUMMA DAEMONIACA

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